
PERSONALIDADES
OLEGÁRIO JUNKES

Filho de Vitorina Schweitzer e João Luiz Junkes, Olegário João Junkes,
nasceu no dia 09 de maio de 1930, na localidade de Alto Biguaçu, hoje Antônio Carlos,
onde viveu até seu falecimento em 15 de abril de 2007.
Casou-se com Bernadete Pitz Junkes, em 8 de novembro de 1952, com quem teve 11 filhos.
Foi eleito vereador em Biguaçu em 7 de outubro de 1962.
Durante seu mandato foi aprovado o Projeto de Lei que criou o município de Antônio Carlos,
onde então foi vereador pelos seguintes períodos:
pela UDN de 1965/1969; pela ARENA de 1970/1972 e 1973/1976.
Foi o primeiro presidente da Câmara de Vereadores de Antônio Carlos e tornou-se presidente
por mais uma vez no período de 1970/1972.
Como vereador, ajudou a abrir a estrada geral do Louro e
participou da comissão da Capela de São Pedro Apóstolo, na comunidade do Louro,
nos períodos de 1964/1971 e 1984/1987,
período este em que também foi diretor da Escola Mista Estadual.
Foi produtor artesanal por volta de 49 anos, de melado, cachaça e farinha de mandioca.
Em 20 de fevereiro de 1985, industrializou a produção artesanal de farinha de mandioca,
criando a empresa de "Farinha Especial Torrada Flor da Terra",
em que trabalhou até outubro de 2002.
PADRE ALFREDO JUNKES

No dia 18 de dezembro de 1936 na igreja de Forquilhinha celebrava-se a Missa exequial do Pe.
Félix Mrugalla. Originário de Dresden, onde nascera em 1900, tinha chegado em Forquilhinha
dois meses antes, acompanhando uma leva de imigrantes. Pequeno ferimento provocou tétano
e ceifou esse homem, esperança dos colonos católicos para o atendimento religioso. Em meio à
consternação, o padre perguntou às crianças e jovens presentes à Missa: "E agora, quem de
vocês vai ocupar o lugar do Pe. Mrugalla?".
Em silêncio, um jovem respondeu para si mesmo:
"Eu!".
Era Alfredo Junkes, nascido ali mesmo em 18 de janeiro de 1923,
filho de David Wendelino Junkes e Hedwiges Borgert .
Doze anos depois foi ordenado presbítero em Forquilhinha, em 23 de janeiro de 1949.
Teve mais dois irmãos padres: Bernardo e Silvestre.
Primeiros anos de ministério: professor e prefeito de estudos em Azambuja (1949-1952);
vigário paroquial em Criciúma; em 1955 foi nomeado reitor do Pré-seminário de São Ludgero,
onde viveu uma experiência trágica: em 10 de agosto de 1956, em plena noite,
um incêndio iniciado na capela destruiu o seminário. Somente com os pijamas,
os alunos saltaram pelas janelas. Grande tristeza para toda a comunidade
a visão daqueles meninos espantados e sem nada.
Em 19 de março de 1957 foi nomeado reitor e professor do Seminário diocesano de Tubarão,
onde permaneceu até o ano seguinte.
Com a criação da diocese de Tubarão em 1954, Dom Joaquim conseguiu que Pe. Alfredo se
incardinasse em Florianópolis, carente de padres.
Em 1959 começou a funcionar em Antônio Carlos o Pré-Seminário,
tendo como reitor o Pe. Vito Schlickmann.
A paróquia fora criada em 19 de março do ano anterior. Dom Joaquim nomeou
Pe. Alfredo Junkes para a paróquia do Sagrado Coração de Jesus em 16 de fevereiro de 1959.
O início foi desalentador: numa colina, a pequena igreja matriz.
Um pouco abaixo uma velha casa adquirida da família Salum, e ranchos.
Materialmente quase tudo por fazer, mas com uma área de terras privilegiada.
Inteligência aguda, saído de "cargos" mais elevados, Pe. Alfredo foi tomado pela decepção, indecisão. Valeu-lhe o desafio do Pe. Vito com o pedido de "mãos à obra".
E assim foi. Em breves meses Pe. Alfredo descobriu o tesouro de fé e de generosidade operosa
escondidos naquele bom povo à espera de quem o chamasse ao trabalho.
Em Antônio Carlos e nas capelas do Rachadel, Santa Maria e Louro
todas as famílias eram de católicos praticantes.
Não havia um só casal separado ou amasiado.
A catequese era muito viva em cada capela,
cada uma com coral cantando em português e alemão.
Até 1965 Dom Joaquim quis tê-lo como Mestre de Cerimônias da Catedral,
razão pela qual durante a Semana Santa era substituído por padres do Seminário de Azambuja.
Nas décadas de 60 e 70 Pe. Alfredo foi o grande construtor:
liderando um povo bom ergueu a imponente igreja matriz sob planta de Simão Gramlich;
foram construídos casa e centro paroquiais. Rachadel, Louro e Egito ergueram novas capelas.
Foram fundadas as comunidades de Vila Doze e Rio Farias.
Deve-se dizer, a bem da verdade, que Pe. Alfredo não primou muito pelo bom gosto artístico nas
capelas: bastava que fossem funcionais.
Gostava de ler, era assinante do l'Osservatore Romano e da Revista Eclesiástica Brasileira.
Acompanhando a renovação do Vaticano II, instituiu o Diaconato permanente na paróquia.
Os colonos sentiam fortemente a necessidade do padre em dois momentos:
na doença grave e no falecimento. Pe. Alfredo foi incansável nesse atendimento:
a pé, a cavalo, de carroça, de Jeep, de dia ou de noite, com tempo bom ou com chuva,
imediatamente atendia ao chamado.
Na véspera do enterro, celebrava na residência do falecido.
Para todos os mortos, Missa de Corpo presente.
Conhecia cada ovelha do rebanho pelo nome e origem familiar.
No final da Quaresma podia dizer: tantas pessoas não se confessaram.
Ricos ou remediados, todos recebiam o mesmo tratamento.
Quando se permanece décadas numa localidade e se conhece todos,
é evidente que surjam conflitos de ordem política, de liderança.
Pe. Alfredo não percebera que Antônio Carlos deixara de ser distrito,
passara a município e muitos de seus filhos receberam diploma universitário.
Homem culto, inteligente, atualizado, não conseguiu ser moderno
na atuação pastoral e comunitária.
Afirmava que ninguém nunca soube em quem votava,
porém se sabia claramente em quem não votava. Mas, e isso é o importante,
sempre foi pastor, zeloso pastor.
Nos últimos anos de vida foi colhido pelo sofrimento:
coração, rins, depressão, a um só tempo.
Em 1993 deixou o ofício de pároco.
Permanecia ligado à vida paroquial e interessado nas notícias.
Após longo sofrimento, suportado com fé, faleceu em 29 de outubro de 2002,
estando sepultado na terra que adotou como sua por 44 anos.
PADRE BERNARDO

Sua carreira religiosa iniciou aos 15 anos, quando saiu de casa para iniciar os seus estudos.
Em 1938 foi para o Seminário Menor Metropolitano em Brusque.
Em 1944 iniciou o curso de filosofia, na atual Unisinos, em São Leopoldo (RS).
Conforme sua autobiografia, de duas páginas escritas com uma máquina de escrever,
Junkes, natural de Forquilhinha, conta sobre os seus 18 anos de estudos para se tornar padre.
Em 1950, terminou o curso de Teologia, mesmo ano em que na cidade de Nova Veneza assumiu
o seu compromisso de sacerdócio com Deus.
"Ordenado Padre, comecei em janeiro de 1951 minha vida pastoral,
na Paróquia de São João Evangelista, de Biguaçu,
quando esta ainda englobava as paróquias e os municípios de Antonio Carlos e
Governador Celso Ramos", destaca um trecho do texto em que ele descreve a sua vida.
Quanto Junkes assumiu a paróquia, em 29 de janeiro de 1956,
em substituição ao então Padre Boleslau Smielewski, havia no município, somente 30 casas.
Em 1990, tornou-se Vigário Paroquial, deixando em seu lugar Pe. Silvestre Philippi,
que ficou doente e deixou a Paróquia novamente sobre o comando de Junkes.
No mesmo ano, Pe. Vanderlei Tezza esteve presente em Içara para auxilia-lo,
até que, em 2001, Pe. Oscar Paulo Pietsch assumiu a Paróquia São Donato.
Durante os 34 anos em que esteve frente à Paróquia São Donato, de 1956 a 1990,
Junkes fez 6,545 mil casamentos e batizou 26,955 mil crianças,
número que se comparado à atual população içarense,
corresponde a um pouco menos da metade da população do município.
"Freqüentávamos todos os domingos o culto, e mais tarde a Santa Missa, em Forquilhinha,
apesar a distância de seis quilômetros da igreja até minha casa",
revela um outro trecho de sua autobiografia,
onde mostra que desde criança já tinha uma base religiosa muito forte,
que levou durante os seus 79 anos de vida.
PADRE SILVESTRE

Nascido em Forquilhinha, na Paróquia Sagrado Coração de Jesus,
padre Silvestre é o quinto dos dez filhos de Edwiges Borgert e Davi Junkes
e teve nos irmãos mais velhos, Bernardo e Alfredo,
o espelho para assumir a vocação ao sacerdócio.
Ingressou no Seminário em São Ludgero aos 16 anos de idade
com vontade contrária do pai, que desejava que o filho fosse médico.
Ainda jovem só sabia falar alemão e muito pouco de português,
antes de ingressar no seminário teve aulas com os professores Adolfo Back e Jacob Arns e,
mais tarde, com cinco religiosas que vieram da Alemanha,
no dia de sua ordenação.
Com o lema "Nossa Senhora, abençoa o meu sacerdócio", padre Silvestre
confiou à Mãe de Jesus o seu ministério e por meio de sua intercessão
encontrou forças para vencer todos os desafios.
"Agradeço pela vida, dom de Deus. Vou fazer 91 anos e nunca pensei chegar até aqui", diz.
ESCRITOR LAURO JUNKES

Lauro Junkes, nascido em Antônio Carlos - Santa Catarina, em 1942,
é bacharel em Direito e Filosofia, licenciado em Letras, mestre em Literatura Brasileira e
doutor em Teoria da Literatura.
Professor Titular de Teoria da Literatura na UFSC, aposentado;
voluntariamente orientador de Mestrado e Doutorado.
Com mais de vinte livros e centenas de artigos e ensaios publicados,
concentra sua pesquisa na Literatura produzida em Santa Catarina e na teoria da narrativa.
Entre as obras publicadas destacam-se: Presença da poesia em Santa Catarina (1979),
Aníbal Nunes Pires e o Grupo Sol (1982),
O Mito e o rito (1987), autoridade e escritura (1997).
Vem organizando obras de autores do passado e antologias:
Melhores poemas de Luís Delfino (1991),
Teatro selecionado de Horácio Nunes (1999),
Poesia completa de Luís Delfino (2001),
Contos complexos de Virgílio Várzea (2004),
Poesia reunida e outros textos de Moura de Senna Pereira (2004),
Obra completa de Delminda Silveira (2006).

